Como a etnografia pode ajudar uma emissora de rádio?

Como a etnografia pode ajudar uma emissora de rádio?

Talvez você nunca tenha ouvido falar na palavra etnografia, mas saiba que ela pode dizer muito sobre nós, seres humanos. Portanto, é desnecessário dizer o quanto pode ajudar na comunicação de massa, não é mesmo?

É aí que entram as emissoras de rádio, que podem ter uma eficiência e uma assertividade muito maiores, desde que consigam compreender melhor o seu público-alvo, geralmente composto por um recorte geográfico específico.

Esse é um ponto bacana de entender: diferentemente de uma marca de vinho italiano branco, que pode estabelecer uma comunicação (marketing e propaganda) de alcance internacional, as rádios costumam ter uma transmissão local e específica.

Por isso mesmo é possível falar em etnografia, que nada mais é do que o estudo das etnias humanas conforme uma área geográfica. É o que a ciência chama de “grupo humano”, com seu território, cultura e hábitos específicos.

Naturalmente, ao entender esses recortes e assimilá-los com a linguagem do marketing e da propaganda de uma marca, uma emissora de rádio ganhará uma capacidade muito maior de atrair as pessoas que interessam.

De quebra, ainda vai ser possível fazer com que essas mesmas pessoas do círculo de interesse da rádio se engajem naquele conteúdo, o que hoje em dia é fundamental. Até porque, engana-se muito quem pensa que a “época das rádios” ficou para trás.

Até pela variedade delas, é fácil supor que não há razão para elas deixarem de existir. Elas podem ir desde propagandas de cirurgia dentaria estetica até programas de política, moda, notícias, fofocas, esporte e tantos outros temas.

Segundo pesquisa da própria ABERT, que é a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, mais de 78% da população nacional consome conteúdos via rádio frequentemente, em todas as regiões do país, de norte a sul.

Além disso, o crescimento de transmissão de programas de rádio pela internet foi de 38% no último período. Portanto, não apenas as rádios não são algo do passado, como elas estão surfando uma considerável curva de crescimento.

Por esse motivo decidimos escrever este artigo, para mostrar como é possível ser ainda mais bem realizado nesse universo da comunicação radiofônica, graças à etnografia e seus princípios antropológicos de estudo dos grupos humanos.

O mais bacana é que essa ciência evoluiu tanto que hoje qualquer segmento pode obter sucesso com ela, seja para falar de mobiliario urbano em sao paulo ou dos artistas mais queridos de uma região.

Então, se você quer entender como exatamente isso é possível e mudar sua emissora de rádio de patamar com solidez e estratégia, basta seguir adiante na leitura.

O que é uma emissora de rádio?

O rádio é uma das maiores revoluções da história da telecomunicação. Ao contrário do que pode parecer, operar com uma emissora de rádio não é tão difícil.

Talvez venha daí o seu sucesso, pois em termos materiais basta um receptor, uma antena, um transmissor, os microfones e uma mesa de som.

Já o suporte técnico e teórico vem das leis da Física, que demonstra como um som pode se propagar pelo ar, por meio de ondas eletromagnéticas, princípio que é bem diferente do funcionamento de uma camera de vigilancia para condominio residencial.

Ademais, é significativo notar que as emissoras de rádio são, geralmente, um fenômeno de relevância regional. 

Assim, como os comunicadores trabalham apenas com voz e sonoplastia, sem recurso à imagem, as pessoas tendem a ouvir apenas as emissoras que têm uma linguagem e até um dialeto igual ao seu, o que é compreensível.

Deste modo, ainda segundo a ABERT, a divisão geográfica da população que consome conteúdos de rádio ocorre da seguinte maneira:

  • Nordeste: 79% de ouvintes;

  • Sudeste: 77% de ouvintes;

  • Centro Oeste: 78% de ouvintes;

  • Sul: 83% de ouvintes.

O levantamento etnográfico, por sua vez, pode variar consideravelmente diante de um cenário assim, já que o Brasil é um país de proporções continentais.

Ou seja, como os costumes das pessoas podem ser bastante diferentes dentro de cada região, ou mesmo dentro de cada estado, a ciência etnográfica tem um trabalho maior.

Por dentro da ciência etnográfica

Se prestarmos atenção em uma grande empresa, em uma sala de aula ou mesmo em um grupo de amigos ou familiares, veremos que há certa uniformidade na conduta das pessoas.

É claro que no microuniverso do ser humano vemos diferenças enormes entre um sujeito e outro, mas se aumentamos a escala e comparamos brasileiros e japoneses, por exemplo, veremos como há mais uniformidade nacional do que imaginávamos.

As consequências disso são enormes, podendo levar desde hábitos de alimentação e vestuário até comemorações simples, como o estilo de um bolo de aniversario decorado.

Sendo assim, a etnografia aplicada aos negócios pode revelar melhor os aspectos psicológicos, econômicos e até ideológicos das pessoas.

Lembrando que hoje o marketing faz um esforço enorme para, justamente, destrinchar o público-alvo em perfis que revelem quais são as expectativas dos clientes de uma marca.

Sobre a persona de uma rádio

Hoje em dia, a estratégia que mais faz sucesso no mundo da publicidade é a do marketing de conteúdo, que se iniciou nos EUA e se espalhou para o mundo.

Ela consiste em criar conteúdos originais, de qualidade e gratuitos, que sejam capazes de criar uma conexão maior com o público.

Por exemplo, um blog com artigos sobre cartao de idoso estacionamento atrai muito mais esse público do que simples propagandas com gatilhos de venda.

No caso da emissora de rádio o desafio é ainda maior, pois ali cada apresentação pode ser considerada como sendo um tipo de conteúdo.

De fato, se não houver sinergia entre os apresentadores, as músicas tocadas e o público, a interação não vai acontecer e a audiência só vai cair.

Basicamente o ouvinte é o “cliente” da rádio, portanto, é preciso definir a persona dele, criando perfis que indiquem qual é a faixa etária dessas pessoas, o gênero predominante, a formação acadêmica, os interesses gerais e daí em diante.

Atualmente também é possível levantar os hábitos digitais desses ouvintes, para saber quais redes sociais, buscadores e plataformas em geral seu público mais acessa, voltando à questão dos levantamentos e das pesquisas etnográficas.

Como funciona a pesquisa etnográfica?

Antes as grandes marcas encomendavam pesquisas, levantamentos e censos de órgãos como o próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mas hoje elas são capazes de fazer pesquisas por conta, na internet e em portais que a esfera digital disponibiliza, justamente com a função de fazer relatórios e métricas demográficas.

O grande diferencial da etnografia, que realmente muda tudo, é que essa ciência consiste na observação ativa e presencial do agente de pesquisa.

Por exemplo, se outro povo quisesse descobrir porque o ocidental usa anel de ouro 18k como aliança de casamento (costume milenar que já existia entre gregos e depois se disseminou pela Igreja Católica), não bastaria ler algo, mas seria preciso conviver conosco.

Além disso, é próprio do pesquisador etnógrafo a coleta de entrevistas, o que depois permite transcrever testemunhos e criar um material muito mais rico sobre o comportamento daquele grupo humano.

Não é difícil transportar isso para o dia a dia de uma determinada região que seja do interesse de uma emissora de rádio, que então poderá entender melhor como é a rotina dos seus ouvintes em potencial.

Por sorte, no caso das rádios e marcas em geral não é preciso fazer o que essa ciência chama de “relatórios densos”, já que a cultura da empresa e do público é a mesma. O que muda são apenas os chamados “hábitos” e “costumes” locais.

Entendendo o conceito na prática

Até aqui já ficou claro que a etnografia pode ajudar uma emissora de rádio revelando melhor quais são as expectativas do seu público-alvo, por meio dos perfis da persona que ouve ou ouvirá aquela programação.

Também vimos que essa é a essência do marketing atual, o que quer dizer que, com isso, a rádio vai implementar estratégias que são voltadas especialmente para aumentar o poder de comunicação e engajamento.

Por exemplo, quais clientes e anunciantes a rádio vai poder obter? A etnografia ajuda a mostrar a assertividade que uma propaganda sobre clinica fisioterapia esportiva teria, bem como qual seria o melhor horário e formato para fazer a transmissão.

Ela ainda vai ajudar a identificar quais programas podem ser ao vivo ou gravados, quais gêneros musicais trazer, como atuar digitalmente e ganhar toda a visibilidade do público-alvo, além de ajudar com ações especiais como promoções, sorteios e afins.

Considerações finais

Enfim, a vantagem de utilizar a etnografia é que ela consiste em uma escola científica que une tudo o que a antropologia, a sociologia e a psicologia podem dar no sentido de entender melhor um grupo de pessoas.

Como ficou claro, quando queremos focar esse grupo com a ótica dos negócios, como uma emissora de rádio que precisa de audiência para criar oportunidades comerciais e gerar sua receita e seu lucro, a fórmula se torna ainda mais interessante.

Finalmente, com os conceitos e conselhos que apresentamos, vai ficar ainda mais fácil colocar a mão na massa e mudar os resultados da sua própria emissora de rádio.


Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.